Em crianças todos sonhámos com o companheiro perfeito, o amor do conto de fadas e o romance que vai terminar com o famoso “foram felizes para sempre”, mas com o passar dos anos, a vida acaba por nos mostrar que nem sempre é assim e a reflexão que quero deixar é: será que a vida não foi boa para nós ou nós é que não somos suficientemente bons para nós próprios?
Em algum momento da vida conhecemos aquela pessoa que faz o coração disparar, que nos faz sentir borboletas no estômago, aproximámos-mos e com o passar do tempo surgem os problemas, a divergência de opiniões, as visões de Mundo e futuro diferentes. Muitas vezes passámos anos a alimentar uma relação que é tudo, menos o conto de fadas que sonhámos.
A verdade é que muitas das vezes cria-se uma expectativa, uma idealização da pessoa que nunca correspondeu ao que ela é na realidade. O medo de perder e a dificuldade de aceitar que essa pessoa não corresponde ao que sonhámos mantém-nos, muitas vezes, presos por anos.
Alimentámos a voz do nosso coração com falsas esperanças de que “um dia vai ser diferente”, e muitas vezes perdemos a oportunidade de viver a verdadeira história de amor, aquela com que sonhámos durante muitos e muitos anos. Fechar a porta ao que inicialmente achávamos que era a pessoa ideal é difícil, queremos alguém que esteja disponível para nós como nós estamos, mas continuámos presos a uma realidade que não nos oferece nada disso e pensámos “não tenho sorte ao amor”.
Será que realmente não temos sorte ao amor ou simplesmente não ouvimos aquilo que o coração nos disse desde sempre, porque estamos presos a uma expectativa que não passa disso? O que vos quero passar não é para simplesmente abandonarem o vosso coração, mas sim, para aprender a ouvi-lo. Muitas vezes só precisamos de nos escolher a nós próprios, de nos colocar em primeiro lugar e de deixar espaço livre para que um novo amor, alinhado com o nosso sonho de criança, possa surgir.
A garantia de que a “pessoa certa” vai chegar não existe, mas enquanto esse lugar estiver ocupado pela pessoa errada nunca existirá espaço para a pessoa certa.
Ouvir a voz do coração não é seguir aquilo que sentimos no momento, é ter coragem para admitir que aquilo que sentimos não é correspondido da mesma forma e não está alinhado com aquilo que merecemos viver.
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